• Celebrante Leonardo Amorim



 

Perfil da cerimônia

Numa cerimônia de casamento todos estão contagiados por um espírito de celebração e comemoração, por isso, trata-se de um espaço para reverberar esses sentimentos. Lembremo-nos que comemorar significa memorar juntos; como se as pessoas estivessem ali reunidas para rememorar a história do casal, as lembranças que cada convidado possui a respeito dos noivos. 

Um ambiente de comunhão, “comum-união” recebe a todos. E a comum união está em torno do casal, com a emissão de todo o carinho e torcida por parte dos presentes.

Assim, uma celebração que possa dar continuidade a esse espírito de unidade, talvez seja o mais indicado.  A experiência de fé pode ter inúmeras manifestações em diferentes segmentos religiosos, por isso, deve ser reservada para seu próprio espaço, ou templo ou igreja.

Dessa forma, numa cerimônia de casamento, devem ser preconizados elementos de fé e valores que sejam comuns a todos e não especificidades religiosas; que em certas circunstâncias podem mais separar do que unir as pessoas. A crença em Deus, a benção sobre o casal, a crença de que se trata de um momento terno daqueles que se unem, a fé de que podem de fato completar um ao outro, a fé de que podem realmente crescer juntos, o amor como alimento de suas vidas, são elementos comuns na maioria das pessoas presentes; e isso precisa ser destacado.



Personalizado

Trata-se de uma cerimônia personaliza, ou seja, com o perfil do casal. Por isso conversar antes com o celebrante é de fundamental importância. Através dessa conversa as primeiras impressões serão passadas, a história do casal, o que pensam a respeito da cerimônia, qual sua importância para aos noivos, fatos curiosos que marcaram a vida dos noivos e o modo como se conheceram. É importante também para os noivos conhecerem o celebrante, o religioso. Qual sua igreja, qual a linha dessa igreja e perfil do celebrante.  É também o momento propício para se tirar todas as dúvidas e acrescentar  qualquer particularidade ou desejo  do casal em relação à cerimônia: uma entrada especial, a participação de algum familiar ou amigo em determinado momento, a leitura de algum poema homenageando o casal etc.


A abordagem poética

O elemento poético, ou seja, a citação poética de frases, poemas, versos ou canções também são marcantes na cerimônia. Elas auxiliam abrilhantando um momento, como nas alianças, ou precedendo às assinaturas, ou dando maior ênfase ao casal e tudo o que representam um para o outro, destacando o carinho que sentem um pelo outro, o quão importante e decisivo foi esse encontro, as saudades que sentem  quando se distanciam ou o quanto mudaram para melhor a partir do momento em que se conheceram. Temas como esses tornam possíveis algumas citações poéticas, sendo elas em verso ou prosa, conforme o momento e o perfil do casal. 

O espírito celebrativo

O cerimônia de casamento é uma momento de alegria, é algo que precede a festa, por isso a energia dos convidados deve dar o tom da cerimônia: antes de tudo celebração. No entanto, é evidente que valores podem e devem ser lembrados, mas tudo com mediania, sensibilidade e bom gosto, obviamente, sem insinuações dos deveres da mulher para com o homem, por exemplo, ou coisas semelhantes, sem afirmações que possam gerar algum constrangimento, sejam de cunho moral ou religioso.

Um sermão, um típico sermão, deve ser algo voltado para uma comunidade religiosa específica, direcionado para pessoas que pertencem a esta comunidade, e não inserido numa cerimônia de casamento destacando um ou outro aspecto de uma determinada religião que possa constranger os convidados.

O amor do casal é o elemento central do casamento, por isso, ainda que seja uma cerimônia religiosa, isso não pode deixar de ser enfatizado. O amor do casal é o fundamento desse espírito celebrativo! 

Celebração ecumênica

A palavra ecumenismo vem do grego οἰκουμένη  (oikouméne), e um de seus significados é habitação comum. A celebração ecumênica visa unir os elementos comuns da maioria das religiões. Observemos alguns deles: a crença em Deus como alguém que nos protege, nos acolhe e encoraja, o caminho do bem como um caminho a ser trilhado, a experiência do amor como  experiência fundamental para a vida humana, o auto-conhecimento como via necessária  para se construir uma relação madura, a família como estrutura fundamental para nossas aspirações, e a fé como fomentadora de sonhos e realizações.

Todos esse elementos são encontrados em inúmeras religiões e nos servem como pontos de toque entre os freqüentadores do espaço religioso, seja ele qual for. Aproximações  como essas podem formar pontes entre as pessoas e não ilhas detentoras de uma suposta verdade. 


Celebração intereligiosa

Trata-se da inserção de alguns elementos rituais específicos de uma determinada religião. As velas, por exemplo, que são mais comuns no âmbito católico e judaico, um castiçal típico judaico, algum símbolo cristão; todos estes na ornamentação do altar.

No entanto há ainda a inserção de determinadas práticas religiosas, como por exemplo, no caso da tradição judaica, a cerimônia do copo, onde os noivos bebem da mesma taça de vinho antes das alianças, a quebra do copo ao final da cerimônia, dando inicio à celebrações, a leitura do  texto sagrado ou oração de uma determinada tradição etc.

Existe ainda a possibilidade da cerimônia ser oficiada por dois religiosos de tradições diferentes. Normalmente um inicia a cerimônia e passa a palavra ao outro, um oficia o momento das alianças e o outro o das assinaturas, e assim por diante.



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